16.10.08

Continuação do comentário do micro relato de Mc 5, 21-43

Continuação do comentário do micro relato de Mc 5, 21-43
Texto: Mc 5, 21 – 43
21. E passando Jesus outra vez num barco para o outro lado, juntou-se a Ele uma grande multidão; e Ele estava junto do mar.
22. E eis que chegou um dos principais da sinagoga, por nome Jairo, e, vendo-O, prostrou-se aos seus pés,
23. E rogava-lhe muito, dizendo: “Minha filha está moribunda; rogo-Te que venhas e Lhe imponhas as mãos, para que sare, e viva”.
24. E foi com Ele, e seguia-O uma grande multidão, que O apertava.
25. Ora certa mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue,
26. E que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior,
27. Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste.
28. Porque dizia: Se tão-somente tocar nas Suas vestes, sararei.
29. E logo se lhe secou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal.
30. E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão, e disse: “Quem tocou nas minhas vestes?”
31. E disseram-Lhe os seus discípulos: “Vês que a multidão Te aperta, e dizes: Quem Me tocou?”
32. E Ele continuava a olhar em redor, para ver quem O tinha tocado.
33. Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante Dele, e disse-Lhe toda a verdade.
34. E Ele Lhe disse: “Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal”.
35. Ainda estava a falar quando vieram dizer da casa do chefe da sinagoga: “A tua filha está morta; para que enfadas mais o Mestre?”
36. E Jesus, tendo ouvido estas palavras, disse ao principal da sinagoga: “Não temas, crê somente”.
37. E não permitiu que alguém O seguisse, a não ser Pedro, Tiago, e João, irmão de Tiago.
38. E, tendo chegado à casa do principal da sinagoga, viu o alvoroço, e os que choravam muito e pranteavam.
39. E, entrando, disse-lhes: “Por que vos alvoroçais e chorais? A menina não está morta, mas dorme”.
40. E riam-se Dele; porém Ele, tendo-os feito sair, tomou consigo o pai e a mãe da menina, e os que com Ele estavam, e entrou onde a menina estava deitada.
41. E, tomando a mão da menina, disse-lhe:” Talithá Kum”; que, traduzido, é: “Menina, Eu te mando, levanta-te”.
42. E logo a menina se levantou, e andava, pois já tinha doze anos; e assombraram-se com grande espanto.
44. E mandou-lhes expressamente que ninguém soubesse da ocorrência; e disse que lhe dessem de comer.


1. Primeira aproximação: o relato está construído em sandwich – a motivação inicial é a cura da filha do chefe da sinagoga, mas no caminho para casa dele Jesus cura uma mulher hemorroíssa (Vers 25 a 34) que lhe toca nas vestes, ficando por isso curada. Esta técnica de Marcos reforça ainda mais o tipo de narrativa que adopta para esta perícope, que evolui num crescendo emotivo: o intercalar de uma história na outra funciona como um grande plano dentro de um plano geral – dá-nos de uma forma muito visual a forma como alguns na época queriam ver Jesus– um curandeiro, dando muito mais força à desmistificação que Marcos controi no resto do relato. Formalmente este micro relato de Marcos, analisado numa perspectiva semiótica e narrativa (Fowler), permite-nos tirar as seguintes conclusões:
a. Em termos de signos o texto dá-nos um Jesus “curandeiro”: (Vers. 30 – Ele sente que “a virtude saíra de Si mesmo”); uma multidão que o comprime (Vers. 31 “Vês que a multidão te comprime por todos os lados”) remetendo para a ânsia do povo/gentios que O procurava por causa dos milagres que fazia; No Vers. 40 “Mas faziam troça Dele” o texto reforça o lado de curandeiro, bem como o Vers. 42 “Todos ficaram estupefactos”; Dando-nos este lado “Mágico” de Jesus, Marcos usa o texto para cativar o leitor e garantir a sua adesão.
b. Em termos de narrativa, a forte emotividade que dela ressalta reforça a adesão do leitor: o relato vai num crescendo, começando por nos dar um Jesus disponível (Vers. 24”Jesus partiu com ele”), que evolui para um Jesus quase mágico (Vers. 30 “ Imediatamente Jesus conhecendo que a virtude saíra de Si mesmo, voltou-se para a multidão e perguntou:”Quem tocou nos Meus vestidos?””). No final temos um Jesus eficaz e com “autoridade” (Vers 39 a 42 “Entretanto disse-lhes:”Porquê todo este alarido e tantas lamentações? A criança não morreu, está a dormir” Mas faziam troça Dele. Jesus pôs fora aquela gente, e levando consigo apenas o pai, a mãe da criança e os que vinham Consigo, entrou onde jazia a criança. Tomando-lhe a mão disse:”Talithá Kum” isto é, “menina eu te mando, levanta-te”. De repente a criança ergueu-se e começou a andar”) que nos deixa perplexos mas seguros. Neste relato Marcos capta o leitor em primeiro lugar porque espelha no texto as dúvidas e hesitações do leitor, levando-o a sentir-se compreendido. Mas depois de o “ter na mão”, conduz o leitor num percurso emotivo onde Jesus vai evoluindo do meio da multidão, encontrando o Seu espaço, e terminando por fazer um milagre que a todos deixa estupefactos (Vers. 42 “Todos ficaram estupefactos”).
c. O narrador é extradiegético, mas muito implicado na “missão” de transmitir ao leitor real, mas também ao leitor implícito, uma imagem de um Jesus muito humano mas com uma “autoridade” que “deixa todos estupefactos”.
2. Os limites do texto:
a. O relato tem início (tempo) depois da sequencia do homem possuído pelo demónio, quando Jesus atravessa para a outra margem do mar (espaço) seguido de uma imensa multidão, e termina com a cura da menina. Os personagens que intervêm, por ordem de entrada, são a multidão expectante; o chefe da sinagoga, Jairo; a mulher hemorroíssa; os que vinham da casa de Jairo; Pedro, Tiago e João; a multidão à porta da casa que fazia troça Dele; a mãe da criança; a criança.
b. Em termos de género literário, estamos perante uma construção sequencial, com um relato que integra, em forma de sandwich, dois micro-relatos (Vers 25 a 34), técnica característica de Marcos. A inserção da cura da mulher hemorroíssa tem como finalidade dar maior ênfase à cura da menina. “Marcos constrói a sequencia com a finalidade de contrastar atitudes” (D. Marguerat, Y. Bourkin, “Como leer los relatos bíblicos” Iniciación al análisis narrativo”). Neste caso trata-se da atitude de Jesus, que duma situação menos “credível” para a multidão, evolui para uma atitude demonstrativa do poder de que Deus O investira na terra (Vers. 39 a 42 “Entretanto disse-lhes:”Porquê todo este alarido e tantas lamentações? A criança não morreu, está a dormir” Mas faziam troça Dele. Jesus pôs fora aquela gente, e levando consigo apenas o pai, a mãe da criança e os que vinham Consigo, entrou onde jazia a criança. Tomando-lhe a mão disse:”Talithá Kum” isto é, “menina eu te mando, levanta-te”. De repente a criança ergueu-se e começou a andar “.
3. Em termos de intriga ou trama, podemos dividir o texto da seguinte forma:
a. Estrutura quinária do micro relato da ressureição da filha de Jairo
i. Situação inicial ou exposição: Vers. 21 e 22 “Depois de Jesus ter atravessado na barca para a outyra margem, reuniu-se uma grande multidão junto d’Ele que continuava à beira mar. Chegou então um dos chefes da sinagoga, de nome Jairo, e, ao vê-Lo, prostrou-se a seus pés”
ii. Nó: Vers. 23 e 24-“ e suplicou-lhe instantemente: “a minha filha está a morrer; vem, impõe-lhe as mãos para que se salve e viva”. Jesus partiu com ele seguido por numerosa multidão que o apertava”.
iii. Acção transformadora: Vers 35 a 41- “Ainda estava a falar quando vieram dizer da casa do chefe da sinagoga: “A tua filha está morta; para que enfadas mais o Mestre?”36. E Jesus, tendo ouvido estas palavras, disse ao principal da sinagoga: “Não temas, crê somente”.37. E não permitiu que alguém O seguisse, a não ser Pedro, Tiago, e João, irmão de Tiago. 38. E, tendo chegado à casa do principal da sinagoga, viu o alvoroço, e os que choravam muito e pranteavam.39. E, entrando, disse-lhes: “Por que vos alvoroçais e chorais? A menina não está morta, mas dorme”.40. E riam-se Dele; porém Ele, tendo-os feito sair, tomou consigo o pai e a mãe da menina, e os que com Ele estavam, e entrou onde a menina estava deitada”.41. E, tomando a mão da menina, disse-lhe:” Talithá Kum”; que, traduzido, é: “Menina, Eu te mando, levanta-te”.
iv. Desenlace ou resolução: Vers. 42 “ De repente a criança ergueu-se e começou a andar, pois tinha 12 anos”
v. Situação final: 42 e 43- “Todos ficaram estupefactos. Recomendou-lhes que ninguém soubesse da ocorrência e mandou dar de comer à menina”
b. Estrutura quinária do micro relato da cura da mulher
i. Situação inicial ou exposição: Vers 25 a e 26” Ora uma mulher vítima de um fluxo de sangue havia 12 anos, que tinha sofrido muito nas mãos de muitos médicos e que gastara todos os seus bens sem encontrar nenhum alivio, antes is cada vez pior”
ii. Nó: Vers. 27 e 28 – “tendo ouvido falar de Jesus, veio por entre a multidão e tocou-Lhe por detrás, na capa, pois dizia “Se ao menos tocar nas Suas vestes, ficarei curada”
iii. Acção transformadora: Vers. 29 a 32 -
iv. Desenlace: Vers. 33
v. Situação final: Vers. 34
c. É uma intriga de acção/resolução, mas há dois momentos, um em cada micro-relato, em que a intriga tem caractrísticas de revelação: Vers. 30 e 32; e Vers 42
4. Personagens: conto neste micro relato quatro personagens individuais (Jesus, Jairo, a mulher e a criança) e quatro colectivas (a multidão, os discípulos, Pedro/Tiago/João, e o pai+mãe da criança ). Os personagens principais são claramente Jesus, personagem redondo e empático, que é simultaneamente sujeito e emissário; e a mulher, personagem redondo também, simpático, mas destinatário e objecto secundário. Jairo é também secundário, plano e destinatário, como a criança. A multidão é um personagem, plano, um pouco antipático, secundário, que umas vezes é adjuvante e outras vezes oponente, como os discípulos. O grupo dos três apóstolos e do pai e da mãe da menina são planos, adjuvantes e objectos secundários.

A temporalidade Mc 1, 40-45


VI. A temporalidade

Quais são as variações na velocidade do relato? Determinar as cenas, as pausas, os sumários, as elipses. Há alternância na velocidade do relato?
A modalidade de Velocidade do relato desta narrativa é essencialmente de Cena e termina com um sumário. A cena compreende desde o versículo 40 até ao 44. Neste espaço o tempo do relato é igual ao tempo do acontecimento.
Já o versículo 45 parece tratar-se de um sumário porque há uma aceleração da narrativa. O modo de contar é breve e a história é longa.


Comparar a ordem do relato com a ordem de sucessão dos acontecimentos (história contada). Localizar analepse e prolepses: que alcance têm.
Este relato não está enriquecida de analepses nem de prolepses.


O relato é singulativo, iterativo ou repetido?
o relato é iterativo. Trata-se de uma interligação de personagens.

15.10.08


O DOCUMENTO OU FONTE QUELLE.
São os Ditos do Senhor.
Em Lucas é mais fácil identificar esta fonte. Este documento tem: introdução; cinco momentos e conclusão.

INTRODUÇÃO
Lc 3,2-4 – Pregação de João Baptista: « (…) 2sob o pontificado de Anás e Caifás, a palavra de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto.3Começou a percorrer toda a região do Jordão, pregando um baptismo de penitência para remissão dos pecados, 4como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: “Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor e endireitai as suas veredas”.»

Lc 4, 1-13 – Jesus tentado no deserto: «1Cheio do Espírito Santo, Jesus retirou-se do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, 2onde esteve durante quarenta dias, e era tentado pelo diabo. Não comeu nada durante esses dias e, quando eles terminaram, sentiu fome. 3Disse-lhe o diabo: “Se és Filho de Deus, diz a esta pedra que se transforme em pão.” Jesus respondeu-lhe: 4“Está escrito: Nem só de pão vive o homem.” 5Levando-o a um lugar alto, o diabo mostrou-lhe, num instante, todos os reinos do universo 6e disse-lhe: “Dar-te-ei todo este poderio e a sua glória, porque me foi entregue e dou-o a quem me aprouver. 7Se te prostrares diante de mim, tudo será teu.” 8Jesus respondeu-lhe: “Está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás culto.” 9Em seguida, conduziu-o a Jerusalém, colocou-o sobre o pináculo do templo e disse-lhe: “Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo, 10pois está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito, a fim de que eles te guardem; 11e também: Hão-de levar-te nas suas mãos, com receio de que firas o teu pé nalguma pedra.” 12Disse-lhe Jesus: “Não tentarás ao Senhor, teu Deus.” 13Tendo esgotado toda a espécie de tentação, o diabo retirou-se de junto dele, até um certo tempo.»


OS CINCO MOMENTOS
1 – Programático.
Lc 6,20-49 – Bem-aventuranças
: «20Erguendo os olhos para os discípulos, pôs-se a dizer: “Felizes vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus. 21elizes vós, os que agora tendes fome, porque sereis saciados. Felizes vós, os que agora chorais, porque haveis de rir. 22Felizes sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos expulsarem, vos insultarem e rejeitarem o vosso nome como infame, por causa do Filho do Homem. 23legrai-vos e exultai nesse dia, pois a vossa recompensa será grande no Céu. Era precisamente assim que os pais deles tratavam os profetas».

Imprecações
: «24Mas ai de vós, os ricos, porque recebestes a vossa consolação! 25Ai de vós, os que estais agora fartos, porque haveis de ter fome! Ai de vós, os que agora rides, porque gemereis e chorareis! 26Ai de vós, quando todos disserem bem de vós! Era precisamente assim que os pais deles tratavam os falsos profetas».

Amor aos inimigos. «Regra de ouro»:
«27Digo-vos, porém, a vós que me escutais: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, 28abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam. 29A quem te bater numa das faces, oferece-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, não impeças de levar também a túnica. 30Dá a todo aquele que te pede e, a quem se apoderar do que é teu, não lho reclames. 31O que quiserdes que os outros vos façam, fazei-lho vós também. 32Se amais os que vos amam, que agradecimento mereceis? Os pecadores também amam aqueles que os amam. 33Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo. 34E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto. 35Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca. Então, a vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom até para os ingratos e os maus. 36Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.»Não julgar os outros: «37Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. 38Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço. A medida que usardes com os outros será usada convosco.»

O verdadeiro discípulo
: «39Jesus disse-lhes ainda esta parábola: «Um cego pode guiar outro cego? Não cairão os dois nalguma cova? 40Não está o discípulo acima do mestre, mas o discípulo bem formado será como o mestre. 41Porque reparas no argueiro que está na vista do teu irmão, e não reparas na trave que está na tua própria vista? 42Como podes dizer ao teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro da tua vista, tu que não vês a trave que está na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e, então, verás para tirar o argueiro da vista do teu irmão.»

A árvore e seus frutos
: «43Não há árvore boa que dê mau fruto, nem árvore má que dê bom fruto. 44Cada árvore conhece-se pelo seu fruto; não se colhem figos dos espinhos, nem uvas dos abrolhos. 45O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o que é bom; e o mau, do mau tesouro tira o que é mau; pois a boca fala da abundância do coração.»

Edificar sobre a rocha
: «46Porque me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que Eu digo? 47Vou mostrar-vos a quem é semelhante todo aquele que vem ter comigo, escuta as minhas palavras e as põe em prática. 48É semelhante a um homem que edificou uma casa: cavou, aprofundou e assentou os alicerces sobre a rocha. Sobreveio uma inundação, a torrente arremessou-se com violência contra aquela casa mas não a abalou, por ter sido bem edificada.49Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as pratica é semelhante a um homem que edificou uma casa sobre a terra, sem alicerces. A torrente arremessou-se contra ela, e a casa imediatamente se desmoronou. E foi grande a sua ruína!»


2 – Descreve o impacto de Jesus com os seus ouvintes e as suas reacções.
Lc 7,1-10 – Cura do servo do centurião:
«1Quando acabou de dizer todas as suas palavras ao povo, Jesus entrou em Cafarnaúm. 2Ora um centurião tinha um servo a quem dedicava muita afeição e que estava doente, quase a morrer. 3Ouvindo falar de Jesus, enviou-lhe alguns judeus de relevo para lhe pedir que viesse salvar-lhe o servo. 4Chegados junto de Jesus, suplicaram-lhe insistentemente: “Ele merece que lhe faças isso, 5pois ama o nosso povo e foi ele quem nos construiu a sinagoga.” 6Jesus acompanhou-os. Não estavam já longe da casa, quando o centurião lhe mandou dizer por uns amigos: “Não te incomodes, Senhor, pois não sou digno de que entres debaixo do meu tecto, pelo que 7nem me julguei digno de ir ter contigo. Mas diz uma só palavra e o meu servo será curado. 8Porque também eu tenho os meus superiores a quem devo obediência e soldados sob as minhas ordens, e digo a um: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faz isto, e ele faz.” 9Ouvindo estas palavras, Jesus sentiu admiração por ele e disse à multidão que o seguia: “Digo-vos: nem em Israel encontrei tão grande fé.” 10E, de regresso a casa, os enviados encontraram o servo de perfeita saúde.»

Lc 7,31-35: «31A quem, pois, compararei os homens desta geração? A quem são semelhantes? 32Assemelham-se a crianças que, sentadas na praça, se interpelam umas às outras, dizendo: Tocámos flauta para vós, e não dançastes! Entoámos lamentações, e não chorastes! 33Veio João Baptista, que não come pão nem bebe vinho, e dizeis: Está possesso do demónio! 34Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: Aí está um glutão e bebedor de vinho, amigo de cobradores de impostos e de pecadores! 35Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos.»

3 – Descreve a relação do seguimento dos discípulos e a forma como eles interagem com Ele.
Lc 9,57-62 – Exigências da vocação apostólica
: «57Enquanto iam a caminho, disse-lhe alguém: “Hei-de seguir-te para onde quer que fores.” 58Jesus respondeu-lhe: “As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.” 59E disse a outro: “Segue-me.” Mas ele respondeu: “Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar o meu pai.” 60Jesus disse-lhe: “Deixa que os mortos sepultem os seus mortos. Quanto a ti, vai anunciar o Reino de Deus.” 61Disse-lhe ainda outro: “Eu vou seguir-te, Senhor, mas primeiro permite que me despeça da minha família.” 62Jesus respondeu-lhe: “Quem olha para trás, depois de deitar a mão ao arado, não é apto para o Reino de Deus.”»

Lc 10,1-10 – Missão dos setenta e dois discípulos: «1Depois disto, o Senhor designou outros setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois, à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. 2Disse-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe. 3Ide! Envio-vos como cordeiros para o meio de lobos. 4Não leveis bolsa, nem alforge, nem sandálias; e não vos detenhais a saudar ninguém pelo caminho. 5Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: 'A paz esteja nesta casa! 6E, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós. 7
*Ficai nessa casa, comendo e bebendo do que lá houver, pois o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. 8Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei do que vos for servido, 9curai os doentes que nela houver e dizei-lhes: O Reino de Deus já está próximo de vós. 10Mas, em qualquer cidade em que entrardes e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: 11Até o pó da vossa cidade, que se pegou aos nossos pés, sacudimos, para vo-lo deixar. No entanto, ficai sabendo que o Reino de Deus já chegou.»

Pode se ler ainda em : «Lc 10,21-24; Lc 11,2-4.»

4 – É uma parte dos Ditos de Jesus e muitos deles foram muito polémicos, porque é a parte onde encontramos os adversários de Jesus.

Lc 11,14-15 - Jesus e Belzebu:
«14Jesus estava a expulsar um demónio mudo. Quando o demónio saiu, o mudo falou e a multidão ficou admirada. 15Mas alguns dentre eles disseram: «É por Belzebu, chefe dos demónios, que Ele expulsa os demónios.»

Lc 11,17-26:
«17Mas Jesus, que conhecia os seus pensamentos, disse-lhes:“Todo o reino, dividido contra si mesmo, será devastado e cairá casa sobre casa. 18Se Satanás também está dividido contra si mesmo, como há-de manter-se o seu reino? Pois vós dizeis que é por Belzebu que Eu expulso os demónios. 19Se é por Belzebu que Eu expulso os demónios, por quem os expulsam os vossos discípulos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes. 20Mas se Eu expulso os demónios pela mão de Deus, então o Reino de Deus já chegou até vós. 21Quando um homem forte e bem armado guarda a sua casa, os seus bens estão em segurança; 22mas se aparece um mais forte e o vence, tira-lhe as armas em que confiava e distribui os seus despojos. 23Quem não está comigo está contra mim, e quem não junta comigo, dispersa.”»

Perigo da recaída: «24Quando um espírito maligno sai de um homem, vagueia por lugares áridos em busca de repouso; e, não o encontrando, diz: Vou voltar para minha casa, de onde saí. 25Ao chegar, encontra-a varrida e arrumada. 26Vai, então, e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele; e, entrando, instalam-se ali. E o estado final daquele homem torna-se pior do que o primeiro.»

Lc 11,39-52: «39O Senhor disse-lhe: “Vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e de maldade. 40Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior? 41Antes, dai esmola do que possuís, e para vós tudo ficará limpo. 42Mas ai de vós, fariseus, que pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as plantas e descurais a justiça e o amor de Deus! Estas eram as coisas que devíeis praticar, sem omitir aquelas. 43Ai de vós, fariseus, porque gostais do primeiro lugar nas sinagogas e de ser cumprimentados nas praças! 44Ai de vós, porque sois como os túmulos, que não se vêem e sobre os quais as pessoas passam sem se aperceberem!”45Um doutor da Lei tomou a palavra e disse-lhe: “Mestre, falando assim, também nos insultas a nós.” 46Mas Ele respondeu: “Ai de vós, também, doutores da Lei, porque carregais os homens com fardos insuportáveis e nem sequer com um dedo tocais nesses fardos! 47Ai de vós, que edificais os túmulos dos profetas, quando os vossos pais é que os mataram! 48Assim, dais testemunho e aprovação aos actos dos vossos pais, porque eles mataram-nos e vós edificais-lhes sepulcros. 49Por isso mesmo é que a Sabedoria de Deus disse: Hei-de enviar-lhes profetas e apóstolos, a alguns dos quais darão a morte e a outros perseguirão,
50a fim de que se peça contas a esta geração do sangue de todos os profetas, derramado desde a criação do mundo, 51desde o sangue de Abel até ao sangue de Zacarias, que pereceu entre o altar e o santuário. Sim, Eu vo-lo digo, serão pedidas contas a esta geração. 52Ai de vós, doutores da Lei, porque vos apoderastes da chave da ciência: vós próprios não entrastes e impedistes a entrada àqueles que queriam entrar!”»

5 – É constituído por vários conteúdos: Ditos de Jesus contra o temor, a suscitar a confiança, conflitos com a família, sobre a reconciliação e anúncio de Reino de Deus.
Lc 12,35-46 – Parábolas sobre a vigilância: «35Estejam apertados os vossos cintos e acesas as vossas lâmpadas. 36Sede semelhantes aos homens que esperam o seu senhor ao voltar da boda, para lhe abrirem a porta quando ele chegar e bater. 37Felizes aqueles servos a quem o senhor, quando vier, encontrar vigilantes! Em verdade vos digo: Vai cingir-se, mandará que se ponham à mesa e há-de servi-los. 38E, se vier pela meia-noite ou de madrugada, e assim os encontrar, felizes serão eles. 39Ficai a sabê-lo bem: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não teria deixado arrombar a sua casa. 40Estai preparados, vós também, porque o Filho do Homem chegará na hora em que menos pensais.»

Parábola do administrador infiel: «41Pedro disse-lhe: “Senhor, é para nós que dizes essa parábola, ou é para todos igualmente?” 42O Senhor respondeu: “Quem será, pois, o administrador fiel e prudente a quem o senhor pôs à frente do seu pessoal para lhe dar, a seu tempo, a ração de trigo? 43Feliz o servo a quem o senhor, quando vier, encontrar procedendo assim. 44Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens. 45Mas, se aquele administrador disser consigo mesmo: 'O meu senhor tarda em vir' e começar a espancar servos e servas, a comer, a beber e a embriagar-se, 46o senhor daquele servo chegará no dia em que ele menos espera e a uma hora que ele não sabe; então, pô-lo-á de parte, fazendo-o partilhar da sorte dos infiéis.



Lc 12, 51,53:
«51Julgais que Eu vim estabelecer a paz na Terra? Não, Eu vo-lo digo, mas antes a divisão. 52Porque, daqui por diante, estarão cinco divididos numa só casa: três contra dois e dois contra três;
53vão dividir-se: o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra.»

Pode se ler ainda : «Lc 12, 57-59; Lc 13,34-35; Lc 13,25-30.»

CONCLUSÃO. Em Lucas temos dois apocalipses, um ligado a Marcos – Lc 21, 5-36 e outro ligado a Fonte Q – Lc 17,22-36.

Lc 17,22-36: O dia do Filho do Homem: «22Depois, disse aos discípulos: “Tempo virá em que desejareis ver um dos dias do Filho do Homem e não o vereis. 23Vão dizer-vos: Ei-lo ali, ou então: Ei-lo aqui. Não queirais ir lá nem os sigais. 24Porque, como o relâmpago, ao faiscar, brilha de um extremo ao outro do céu, assim será o Filho do Homem no seu dia. 25Mas, primeiramente, Ele tem de sofrer muito e ser rejeitado por esta geração. 26Como sucedeu nos dias de Noé, assim sucederá também nos dias do Filho do Homem: 27comiam, bebiam, os homens casavam-se e as mulheres eram dadas em casamento, até ao dia em que Noé entrou na Arca e veio o dilúvio, que os fez perecer a todos. 28O mesmo sucedeu nos dias de Lot: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam, construíam; 29mas, no dia em que Lot saiu de Sodoma, Deus fez cair do céu uma chuva de fogo e enxofre, que os matou a todos. 30Assim será no dia em que o Filho do Homem se revelar. 31Nesse dia, quem estiver no terraço e tiver as suas coisas em casa não desça para as tirar; e, do mesmo modo, quem estiver no campo não volte atrás. 32Lembrai-vos da mulher de Lot.33Quem procurar salvar a vida, há-de perdê-la; e quem a perder, há-de conservá-la. 34Digo-vos que, nessa noite, estarão dois numa cama: um será tomado e o outro será deixado. 35Duas mulheres estarão juntas a moer: uma será tomada e a outra será deixada. 36Dois homens estarão no campo: um será tomado e o outro será deixado.»

IV Os personagens Mc 1, 40-45


VI. Os personagens

a) Fazer um inventário dos personagens (individuais ou colectivos) do relato. Que hierarquia se estabelece entre os personagens? Quais são os protagonistas? Quais os secundários? Identificar os personagens redondos (constituídos por vários traços) dos personagens planos (reduzidos a um único traço)
As personagens encontradas neste relato são: Jesus, Leproso e alguns que “vinham procurá-lo. Partindo antes deste relato e supondo que existe uma continuidade entre os dois relatos, não podemos deixar de incluir “Simão e os companheiros” (v. 36) porque não existe nenhuma referencia que diga que ele se tenham separado de Jesus.
O protagonista é Jesus. Várias características de Jesus são referenciadas neste relato sem contar com as inúmeras que o Narrador do evangelho já tinha começado anteriormente a este relato. Os traços que nos fazem caracterizar Jesus como personagem redondo são:
41Compadecido, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse:
43E logo o despediu, dizendo-lhe em tom severo:
A questão que o leproso faz inicialmente a Jesus faz com que a atenção não caia sobre ele que está a falar mas em Jesus.
Como personagem secundária temos o Leproso. Este também pode caracterizar por personagem plano porque apenas sabemos que ele era leproso. Não temos mais nenhuma referência directa sobre os traços dele ou até mesmo o seu nome. Porém, indirectamente sabemos algumas características do leproso: era corajoso: por se ter chegado até Jesus contra todos, e não era muito obediente aos mandatos que lhe faziam.

b) Como se colocam os personagens ao serviço da intriga? (Emissor/ Destinatário; Sujeito/ Objecto; Oponente/ Adjuvante).
Em quase toda a intriga as personagens são Adjuvantes à revelação do Evangelho. Porém, o leproso, depois de ser purificado, toma uma posição de oponente por ir contra a uma ordem de Jesus. O leproso e os que o ouviram a gritar são os destinatários da Boa nova acontecida sob o leproso.

c) Como constrói o narrador os personagens?
Este pequeno relato não revela muitas características as personagens.
Sobre Jesus aparece apenas o seu nome referido.
Os companheiros de Jesus nem sequer são referidos, mas pelo que está antes e depois deste relato não existe nada que tinha que eles tenham saído e depois entrado em “cena”.
Sobre o leproso não sabemos nada sobre ele senão a sua condição débil e o seu agir. Por aqui sabemos que ele era: antes de tudo um homem de fé (por ter ido até Jesus (cf v. 40)), um pouco descarado: por dar a Jesus a condição da sua cura (cf. v.40) e bastante festivo/grato por, reconhecendo a acção de Deus na sua vida, ter proclamado indo contra o mandamento de Jesus.
As pessoas apenas existe a referencia que iam ter com ele. Possivelmente eram para ser curados visto que se trata desse tema nesta “área” do evangelho.

Telling: nome, Informações:
Jesus: “Jesus estendeu a mão, tocou-o” (v.41)
Leproso: “Um leproso”(v.40)
Pessoas
Companheiros de Jesus

Showing: o agir da personagem:

Jesus: Compadecido, Jesus (v. 41)
Leproso
“caiu de joelhos e suplicou:” (v.40)
“suplicou: «Se quiseres, podes purificar-me.»” (v.40)
“assim que se retirou, começou a proclamar” (v. 45)
Pessoas “E de todas as partes iam ter com Ele”
Discipulos

d) Seguir as transformações dos personagens:
Como se constroem e modificam através do relato das seus identidades?
Jesus: existe neste relato uma referência à humanidade de Jesus. Esta dá um novo relevo à pessoa de Jesus e igualmente a todo o contexto do evangelho. Jesus deixa de ser aquele que Cura e toma uma nova característica ou, melhor dizendo, revela uma nova identidade: Ele fica : “profundamente compadecido”.
Leproso: Se em Jesus existe uma transformação interior que o narrador faz revelar. No leproso existe uma transformação Física. Deixa de Ser Leproso, deixa de estar fora da vida social.

Quem ou o quê provoca a transformação?
Quem provoca a transformação do Leproso é Jesus.
Quem provoca a intenção de o narrador puder dizer a transformação de Jesus é o Leproso.

Qual é a relação do personagem com o seu passado?

Que sentimentos (empatia, simpatia, antipatia) o relato desperta a respeito das personagens?

A meu ver, o grande sentimento que é revelado é a proximidade de Jesus. Jesus compadece-se, toca e cura. Outro ponto a referir é do segredo. Jesus não procura a sua van-glória, mas deseja revelar o Reino dos Céus.

e) Observar o jogo das focalizações ao longo do texto,
Temos acesso à interioridade de um personagem (focalização interna)?
Mc 1, 40: 41Compadecido


Deixa-se ver o que sucede tal como poderia observá-lo o leitor (focalização externa)?
Mc 1, 40-45
“40Um leproso veio ter com Ele, caiu de joelhos e suplicou: «Se quiseres, podes purificar-me.»” 41Compadecido, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: «Quero, fica purificado.» 42Imediatamente a lepra deixou-o, e ficou purificado. 43E logo o despediu, dizendo-lhe em tom severo: 44«Livra-te de falar disto a alguém; vai, antes, mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que foi estabelecido por Moisés, a fim de lhes servir de testemunho.» 45Ele, porém, assim que se retirou, começou a proclamar e a divulgar o sucedido, (…) ficava fora, em lugares despovoados. E de todas as partes iam ter com Ele.


Permite-se o avesso a um suplemento de informação que domina o espaço e o tempo (focalização zero)?
Mc 1, 45: a ponto de Jesus não poder entrar abertamente numa cidade;

Do ponto de vista do que se sabe, a posição do leitor é superior, igual ou inferior à dos personagens?
A posição do leitor é sempre mais rica de quem está a viver dentro. O narrador faz questão de sabermos principalmente pela focalização interna. Sabemos os sentimentos das personagens.

14.10.08

Q8?




Extra – Lc 19,11-27 - Encontrei, depois do apocalipse do post anterior, esta parábola que me parece ter paralelo apenas com Mt... será Q? Ou será que as parábolas não fazem de todo parte desta fonte? Questões a aguardar resposta. De qualquer forma, parece-me muito parecida com Mt 25,14-30

Estando eles a ouvir estas coisas, Jesus acrescentou uma parábola, por estar perto de Jerusalém e por eles pensarem que o Reino de Deus ia manifestar-se imediatamente.
Disse, pois:«Um homem nobre partiu para uma região longínqua, a fim de tomar posse de um reino e em seguida voltar.
Chamando dez dos seus servos, entregou-lhes dez minas e disse-lhes: ‘Fazei render a mina até que eu volte.’
Mas os seus concidadãos odiavam-no e enviaram uma embaixada atrás dele, para dizer: ‘Não queremos que ele seja nosso rei.’
Quando voltou, depois de tomar posse do reino, mandou chamar os servos a quem entregara o dinheiro, para saber o que tinha ganho cada um deles.
O primeiro apresentou-se e disse: ‘Senhor, a tua mina rendeu dez minas.’ Respondeu-lhe: ‘Muito bem, bom servo; já que foste fiel no pouco, receberás o governo de dez cidades.’ O segundo veio e disse: ‘Senhor, a tua mina rendeu cinco minas.’ Respondeu igualmente a este: ‘Recebe, também tu, o governo de cinco cidades.’ Veio outro e disse: ‘Senhor, aqui tens a tua mina que eu tinha guardado num lenço, pois tinha medo de ti, que és homem severo, levantas o que não depositaste e colhes o que não semeaste.’ Disse-lhe ele: ‘Pela tua própria boca te condeno, mau servo! Sabias que sou um homem severo, que levanto o que não depositei e colho o que não semeei; então, porque não entregaste o meu dinheiro ao banco? Ao regressar, tê-lo-ia recuperado com juros.’ E disse aos presentes: ‘Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem dez minas.’ Responderam-lhe: ‘Senhor, ele já tem dez minas!’ Digo-vos Eu: A todo aquele que tem, há-de ser dado, mas àquele que não tem, mesmo aquilo que tem lhe será tirado. Quanto a esses meus inimigos, que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os cá e degolai-os na minha presença.»

Q7


Conclusão – Lc 17,22-37

Depois, disse aos discípulos: «Tempo virá em que desejareis ver um dos dias do Filho do Homem e não o vereis.
Vão dizer-vos: ‘Ei-lo ali’, ou então: ‘Ei-lo aqui.’ Não queirais ir lá nem os sigais. Porque, como o relâmpago, ao faiscar, brilha de um extremo ao outro do céu, assim será o Filho do Homem no seu dia. Mas, primeiramente, Ele tem de sofrer muito e ser rejeitado por esta geração. Como sucedeu nos dias de Noé, assim sucederá também nos dias do Filho do Homem: comiam, bebiam, os homens casavam-se e as mulheres eram dadas em casamento, até ao dia em que Noé entrou na Arca e veio o dilúvio, que os fez perecer a todos. O mesmo sucedeu nos dias de Lot: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam, construíam; mas, no dia em que Lot saiu de Sodoma, Deus fez cair do céu uma chuva de fogo e enxofre, que os matou a todos. Assim será no dia em que o Filho do Homem se revelar. Nesse dia, quem estiver no terraço e tiver as suas coisas em casa não desça para as tirar; e, do mesmo modo, quem estiver no campo não volte atrás. Lembrai-vos da mulher de Lot. Quem procurar salvar a vida, há-de perdê-la; e quem a perder, há-de conservá-la. Digo-vos que, nessa noite, estarão dois numa cama: um será tomado e o outro será deixado. Duas mulheres estarão juntas a moer: uma será tomada e a outra será deixada. Dois homens estarão no campo: um será tomado e o outro será deixado.» Tomando a palavra, os discípulos disseram-lhe: «Senhor, onde sucederá isso?» Respondeu-lhes: «Onde estiver o corpo, lá se juntarão também os abutres.»

Q6


5ª parte – Lc 12,22-56; 13,20-30; 13,34-35; 14,15-33; 15,4-7

Em seguida, disse aos discípulos: «É por isso que vos digo: Não vos preocupeis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer, nem quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir;
pois a vida é mais que o alimento, e o corpo mais que o vestuário. Reparai nos corvos: não semeiam nem colhem, não têm despensa nem celeiro, e Deus alimenta-os. Quanto mais não valeis vós do que as aves! E quem de vós, pelo facto de se inquietar, pode acrescentar um côvado à extensão da sua vida? Se nem as mínimas coisas podeis fazer, porque vos preocupais com as restantes? Reparai nos lírios, como crescem! Não trabalham nem fiam; pois Eu digo-vos: Nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva, que hoje está no campo e amanhã é lançada no fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé! Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber, nem andeis ansiosos, pois as pessoas do mundo é que andam à procura de todas estas coisas; mas o vosso Pai sabe que tendes necessidade delas. Procurai, antes, o seu Reino, e o resto vos será dado por acréscimo. Não temais, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino.»
«Vendei os vossos bens e dai-os de esmola. Arranjai bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável no Céu, onde o ladrão não chega e a traça não rói. Porque, onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.»

«Estejam apertados os vossos cintos e acesas as vossas lâmpadas. Sede semelhantes aos homens que esperam o seu senhor ao voltar da boda, para lhe abrirem a porta quando ele chegar e bater. Felizes aqueles servos a quem o senhor, quando vier, encontrar vigilantes! Em verdade vos digo: Vai cingir-se, mandará que se ponham à mesa e há-de servi-los. E, se vier pela meia-noite ou de madrugada, e assim os encontrar, felizes serão eles. Ficai a sabê-lo bem: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não teria deixado arrombar a sua casa. Estai preparados, vós também, porque o Filho do Homem chegará na hora em que menos pensais.»

Pedro disse-lhe: «Senhor, é para nós que dizes essa parábola, ou é para todos igualmente?» O Senhor respondeu: «Quem será, pois, o administrador fiel e prudente a quem o senhor pôs à frente do seu pessoal para lhe dar, a seu tempo, a ração de trigo? Feliz o servo a quem o senhor, quando vier, encontrar procedendo assim. Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens. Mas, se aquele administrador disser consigo mesmo: ‘O meu senhor tarda em vir’ e começar a espancar servos e servas, a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele servo chegará no dia em que ele menos espera e a uma hora que ele não sabe; então, pô-lo-á de parte, fazendo-o partilhar da sorte dos infiéis. O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor, não se preparou e não agiu conforme os seus desejos, será castigado com muitos açoites. Aquele, porém, que, sem a conhecer, fez coisas dignas de açoites, apenas receberá alguns.
A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito será pedido.»

«Eu vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele já se tivesse ateado! Tenho de receber um baptismo, e que angústias as minhas até que ele se realize! Julgais que Eu vim estabelecer a paz na Terra? Não, Eu vo-lo digo, mas antes a divisão. Porque, daqui por diante, estarão cinco divididos numa só casa: três contra dois e dois contra três; vão dividir-se: o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra.»

Dizia também às multidões: «Quando vedes uma nuvem levantar-se do poente, dizeis logo: ‘Vem lá a chuva’; e assim sucede. E quando sopra o vento sul, dizeis: ‘Vai haver muito calor’; e assim acontece. Hipócritas, sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu; como é que não sabeis reconhecer o tempo presente?»

Disse ainda: «A que posso comparar o Reino de Deus?
É semelhante ao fermento que certa mulher tomou e misturou com três medidas de farinha, até ficar levedada toda a massa.»

Jesus percorria cidades e aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém.
Disse-lhe alguém: «Senhor, são poucos os que se salvam?» Ele respondeu-lhes: «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir. Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta, ficareis fora e batereis, dizendo: ‘Abre-nos, Senhor!’ Mas ele há-de responder-vos: ‘Não sei de onde sois.’ Começareis, então, a dizer: ‘Comemos e bebemos contigo e Tu ensinaste nas nossas praças.’ Responder-vos-á: ‘Repito-vos que não sei de onde sois. Apartai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade.’ Lá haverá pranto e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac, Jacob e todos os profetas no Reino de Deus, e vós a serdes postos fora. Hão-de vir do Oriente, do Ocidente, do Norte e do Sul, sentar-se à mesa no Reino de Deus. E há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos.»

«Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas aqueles que te são enviados! Quantas vezes Eu quis juntar os teus filhos, como a galinha junta a sua ninhada debaixo das asas, e não quiseste!
Agora, ficará deserta a vossa casa. Eu vo-lo digo: Não me vereis até chegar o dia em que digais: Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor!»

Ouvindo isto, um dos convidados disse-lhe: «Feliz o que comer no banquete do Reino de Deus!»
Ele respondeu-lhe:«Certo homem ia dar um grande banquete e fez muitos convites.
À hora do banquete, mandou o seu servo dizer aos convidados: ‘Vinde, já está tudo pronto.’
Mas todos, unanimemente, começaram a esquivar-se. O primeiro disse: ‘Comprei um terreno e preciso de ir vê-lo; peço-te que me dispenses.’
Outro disse: ‘Comprei cinco juntas de bois e tenho de ir experimentá-las; peço-te que me dispenses.’
E outro disse: ‘Casei-me e, por isso, não posso ir.’ O servo regressou e comunicou isto ao seu senhor. Então, o dono da casa, irritado, disse ao servo: ‘Sai imediatamente às praças e às ruas da cidade e traz para aqui os pobres, os estropiados, os cegos e os coxos.’ O servo voltou e disse-lhe: ‘Senhor, está feito o que determinaste, e ainda há lugar.’ E o senhor disse ao servo: ‘Sai pelos caminhos e azinhagas e obriga-os a entrar, para que a minha casa fique cheia.’ Pois digo-vos que nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete.»

Seguiam com ele grandes multidões; e Jesus, voltando-se para elas, disse-lhes: «Se alguém vem ter comigo e não me tem mais amor que ao seu pai, à sua mãe, à sua esposa, aos seus filhos, aos seus irmãos, às suas irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não tomar a sua cruz para me seguir não pode ser meu discípulo. Quem dentre vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro para calcular a despesa e ver se tem com que a concluir? Não suceda que, depois de assentar os alicerces, não a podendo acabar, todos os que virem comecem a troçar dele, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não pôde acabar.’ Ou qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro para examinar se lhe é possível com dez mil homens opor-se àquele que vem contra ele com vinte mil? Se não pode, estando o outro ainda longe, manda-lhe embaixadores a pedir a paz. Assim, qualquer de vós, que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo.»

«Qual é o homem dentre vós que, possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai à procura da que se tinha perdido, até a encontrar?
Ao encontrá-la, põe-na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, convoca os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida.’ Digo-vos Eu: Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão.»

Q5


4ª parte – Lc 11,24-25 - De acordo com a Bíblia dos Capuchinhos apenas se encontra este paralelo com Mateus; quanto aos outros versículos propostos pelo professor na aula, parece-me que há paralelos em Marcos, portanto não vejo como possa ser Q. Aguardo respostas a esta dificuldade...

«Quando um espírito maligno sai de um homem, vagueia por lugares áridos em busca de repouso; e, não o encontrando, diz: ‘Vou voltar para minha casa, de onde saí.’
Ao chegar, encontra-a varrida e arrumada. Vai, então, e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele; e, entrando, instalam-se ali. E o estado final daquele homem torna-se pior do que o primeiro.»

Q4


3ª parte – Lc 9,57-62; 10,1-16; 10,21-24; 11,1-4

Enquanto iam a caminho, disse-lhe alguém: «Hei-de seguir-te para onde quer que fores.» Jesus respondeu-lhe: «As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.» E disse a outro: «Segue-me.» Mas ele respondeu: «Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar o meu pai.» Jesus disse-lhe: «Deixa que os mortos sepultem os seus mortos. Quanto a ti, vai anunciar o Reino de Deus.» Disse-lhe ainda outro: «Eu vou seguir-te, Senhor, mas primeiro permite que me despeça da minha família.» Jesus respondeu-lhe: «Quem olha para trás, depois de deitar a mão ao arado, não é apto para o Reino de Deus.»
Depois disto, o Senhor designou outros setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois, à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir.
Disse-lhes:«A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe.
Ide! Envio-vos como cordeiros para o meio de lobos.
Não leveis bolsa, nem alforge, nem sandálias; e não vos detenhais a saudar ninguém pelo caminho.
Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’
E, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós. Ficai nessa casa, comendo e bebendo do que lá houver, pois o trabalhador merece o seu salário.
Não andeis de casa em casa.
Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei do que vos for servido,
curai os doentes que nela houver e dizei-lhes: ‘O Reino de Deus já está próximo de vós.’
Mas, em qualquer cidade em que entrardes e não vos receberem, saí à praça pública e dizei:
‘Até o pó da vossa cidade, que se pegou aos nossos pés, sacudimos, para vo-lo deixar. No entanto, ficai sabendo que o Reino de Deus já chegou.’»

«Digo-vos: Naquele dia haverá menos rigor para Sodoma do que para aquela cidade. Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sídon se tivessem operado os milagres que entre vós se realizaram, de há muito que teriam feito penitência, vestidas de saco e na cinza. Por isso, no dia do juízo, haverá mais tolerância para Tiro e Sídon do que para vós. E tu, Cafarnaúm, porventura serás exaltada até ao céu? É até ao inferno que serás precipitada. Quem vos ouve é a mim que ouve, e quem vos rejeita é a mim que rejeita; mas, quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.»

Nesse mesmo instante, Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse: «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado.
Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho houver por bem revelar-lho.» Voltando-se, depois, para os discípulos, disse-lhes em particular: «Felizes os olhos que vêem o que estais a ver. Porque - digo-vos - muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não o ouviram!»

Sucedeu que Jesus estava algures a orar. Quando acabou, disse-lhe um dos seus discípulos: «Senhor, ensina-nos a orar, como João também ensinou os seus discípulos.»
Disse-lhes Ele: «Quando orardes, dizei:Pai,
santificado seja o teu nome;
venha o teu Reino;
dá-nos o nosso pão de cada dia;
perdoa os nossos pecados,
pois também nós perdoamos
a todo aquele que nos ofende;
e não nos deixes cair em tentação.»

Q3


2ª parte – Lc 7,1-10; 7,18-35

Quando acabou de dizer todas as suas palavras ao povo, Jesus entrou em Cafarnaúm. Ora um centurião tinha um servo a quem dedicava muita afeição e que estava doente, quase a morrer. Ouvindo falar de Jesus, enviou-lhe alguns judeus de relevo para lhe pedir que viesse salvar-lhe o servo. Chegados junto de Jesus, suplicaram-lhe insistentemente: «Ele merece que lhe faças isso, pois ama o nosso povo e foi ele quem nos construiu a sinagoga.» Jesus acompanhou-os. Não estavam já longe da casa, quando o centurião lhe mandou dizer por uns amigos: «Não te incomodes, Senhor, pois não sou digno de que entres debaixo do meu tecto, pelo que nem me julguei digno de ir ter contigo. Mas diz uma só palavra e o meu servo será curado. Porque também eu tenho os meus superiores a quem devo obediência e soldados sob as minhas ordens, e digo a um: ‘Vai’, e ele vai; e a outro: ‘Vem’, e ele vem; e ao meu servo: ‘Faz isto’, e ele faz.» Ouvindo estas palavras, Jesus sentiu admiração por ele e disse à multidão que o seguia: «Digo-vos: nem em Israel encontrei tão grande fé.» E, de regresso a casa, os enviados encontraram o servo de perfeita saúde.

Os discípulos de João informaram-no de todos estes factos. Chamando dois deles,
João mandou-os ao Senhor com esta mensagem: «És Tu o que está para vir, ou devemos esperar outro?» Ao chegarem junto dele, os homens disseram: «João Baptista mandou-nos ter contigo para te perguntar: ‘És Tu o que está para vir, ou devemos esperar outro?’» Nessa altura, Jesus curava a muitos das suas doenças, padecimentos e espíritos malignos e concedia vista a muitos cegos. Tomando a palavra, disse aos enviados: «Ide contar a João o que vistes e ouvistes:Os cegos vêem, os coxos andam,
os leprosos ficam limpos,
os surdos ouvem, os mortos ressuscitam,
a Boa-Nova é anunciada aos pobres;
e feliz de quem não tiver em mim ocasião de queda.»

Depois de os mensageiros de João se terem retirado, Jesus começou a dizer à multidão acerca dele: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Que fostes ver, então? Um homem vestido com roupas finas? Os que usam trajes sumptuosos vivem regaladamente e estão nos palácios dos reis. Que fostes ver, então? Um profeta? Sim, Eu vo-lo digo, e mais do que um profeta. É aquele de quem está escrito:
‘Vou mandar à tua frente o meu mensageiro,
que preparará o caminho diante de ti.’
Digo-vos: Entre os nascidos de mulher não há profeta maior do que João; mas, o mais pequeno do Reino de Deus é maior do que ele.»

E todo o povo que o escutou, bem como os cobradores de impostos, reconheceram a justiça de Deus, recebendo o baptismo de João. Mas, não se deixando baptizar por ele, os fariseus e os doutores da Lei anularam os desígnios de Deus a seu respeito. «A quem, pois, compararei os homens desta geração? A quem são semelhantes? Assemelham-se a crianças que, sentadas na praça, se interpelam umas às outras, dizendo:
‘Tocámos flauta para vós,
e não dançastes!
Entoámos lamentações,
e não chorastes!’
Veio João Baptista, que não come pão nem bebe vinho, e dizeis: ‘Está possesso do demónio!’
Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: ‘Aí está um glutão e bebedor de vinho, amigo de cobradores de impostos e de pecadores!’
Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos.»

Q2


1ª parte – Lc 6,20-49

Erguendo os olhos para os discípulos, pôs-se a dizer:«Felizes vós, os pobres,
porque vosso é o Reino de Deus.
Felizes vós, os que agora tendes fome,
porque sereis saciados.
Felizes vós, os que agora chorais,
porque haveis de rir.
Felizes sereis, quando os homens vos odiarem,
quando vos expulsarem,
vos insultarem
e rejeitarem o vosso nome como infame,
por causa do Filho do Homem.
Alegrai-vos e exultai nesse dia,
pois a vossa recompensa será grande no Céu.
Era precisamente assim que os pais deles tratavam os profetas».

«Mas ai de vós, os ricos,
porque recebestes a vossa consolação!
Ai de vós, os que estais agora fartos,
porque haveis de ter fome!
Ai de vós, os que agora rides,
porque gemereis e chorareis!
Ai de vós, quando todos disserem bem de vós!
Era precisamente assim que os pais deles tratavam os falsos profetas».

«Digo-vos, porém, a vós que me escutais: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam,
abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam. A quem te bater numa das faces, oferece-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, não impeças de levar também a túnica. Dá a todo aquele que te pede e, a quem se apoderar do que é teu, não lho reclames. O que quiserdes que os outros vos façam, fazei-lho vós também. Se amais os que vos amam, que agradecimento mereceis? Os pecadores também amam aqueles que os amam. Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo. E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto. Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca. Então, a vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom até para os ingratos e os maus. Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.»

«Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço. A medida que usardes com os outros será usada convosco.»

Jesus disse-lhes ainda esta parábola: «Um cego pode guiar outro cego? Não cairão os dois nalguma cova? Não está o discípulo acima do mestre, mas o discípulo bem formado será como o mestre. Porque reparas no argueiro que está na vista do teu irmão, e não reparas na trave que está na tua própria vista? Como podes dizer ao teu irmão: ‘Irmão, deixa-me tirar o argueiro da tua vista’, tu que não vês a trave que está na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e, então, verás para tirar o argueiro da vista do teu irmão.»

«Não há árvore boa que dê mau fruto, nem árvore má que dê bom fruto. Cada árvore conhece-se pelo seu fruto; não se colhem figos dos espinhos, nem uvas dos abrolhos. O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o que é bom; e o mau, do mau tesouro tira o que é mau; pois a boca fala da abundância do coração.»

«Porque me chamais ‘Senhor, Senhor’, e não fazeis o que Eu digo? Vou mostrar-vos a quem é semelhante todo aquele que vem ter comigo, escuta as minhas palavras e as põe em prática. É semelhante a um homem que edificou uma casa: cavou, aprofundou e assentou os alicerces sobre a rocha. Sobreveio uma inundação, a torrente arremessou-se com violência contra aquela casa mas não a abalou, por ter sido bem edificada. Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as pratica é semelhante a um homem que edificou uma casa sobre a terra, sem alicerces. A torrente arremessou-se contra ela, e a casa imediatamente se desmoronou. E foi grande a sua ruína!»

Q1


Caros colegas, com a ajuda da aula de hoje, da Bíblia dos Capuchinhos e de alguma reflexão e pachorra da minha parte, dediquei-me a tentar identificar a fonte Q. Publico e partilho aqui o meu "Evangelho Q"


Introdução – Lc 3,7-14; 4,1-12


João dizia, então, às multidões que acorriam para serem baptizadas por ele: «Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera que está para chegar? Produzi frutos de sincero arrependimento e não comeceis a dizer para convosco: ‘Nós temos Abraão como pai’; pois eu vos digo que Deus pode, destas pedras, suscitar filhos a Abraão. O machado já se encontra à raiz das árvores; por isso, toda a árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo.» E as multidões perguntavam-lhe: «Que devemos, então, fazer?» Respondia-lhes: «Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo.» Vieram também alguns cobradores de impostos, para serem baptizados e disseram-lhe: «Mestre, que havemos de fazer?» Respondeu-lhes: «Nada exijais além do que vos foi estabelecido.» Por sua vez, os soldados perguntavam-lhe: «E nós, que devemos fazer?» Respondeu-lhes: «Não exerçais violência sobre ninguém, não denuncieis injustamente e contentai-vos com o vosso soldo.»

Cheio do Espírito Santo, Jesus retirou-se do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto,
onde esteve durante quarenta dias, e era tentado pelo diabo. Não comeu nada durante esses dias e, quando eles terminaram, sentiu fome. Disse-lhe o diabo: «Se és Filho de Deus, diz a esta pedra que se transforme em pão.» Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: Nem só de pão vive o homem.» Levando-o a um lugar alto, o diabo mostrou-lhe, num instante, todos os reinos do universo e disse-lhe: «Dar-te-ei todo este poderio e a sua glória, porque me foi entregue e dou-o a quem me aprouver. Se te prostrares diante de mim, tudo será teu.» Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás culto.» Em seguida, conduziu-o a Jerusalém, colocou-o sobre o pináculo do templo e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo, pois está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito, a fim de que eles te guardem; e também: Hão-de levar-te nas suas mãos, com receio de que firas o teu pé nalguma pedra.» Disse-lhe Jesus: «Não tentarás ao Senhor, teu Deus.» Tendo esgotado toda a espécie de tentação, o diabo retirou-se de junto dele, até um certo tempo.




Mc 1, 40-45
A cura de um Leproso




40Um leproso veio ter com Ele, caiu de joelhos e suplicou: «Se quiseres, podes purificar-me.» 41Compadecido, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: «Quero, fica purificado.» 42Imediatamente a lepra deixou-o, e ficou purificado. 43E logo o despediu, dizendo-lhe em tom severo: 44«Livra-te de falar disto a alguém; vai, antes, mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que foi estabelecido por Moisés, a fim de lhes servir de testemunho.» 45Ele, porém, assim que se retirou, começou a proclamar e a divulgar o sucedido, a ponto de Jesus não poder entrar abertamente numa cidade; ficava fora, em lugares despovoados. E de todas as partes iam ter com Ele.

(Neste vídeo pode-se ver com imagens mas o evangelho é um pouco alterado. Aconselho a sua visualização para quem se queira divertir um pouco)
http://video.google.com/videoplay?docid=-6109257416976154309

I. Primeira aproximação


a. Observar como está construído o relato
Este pequeno relato descreve um dos milagres de Jesus. Um leproso com muita fé deseja que Jesus deseje curá-lo. Tendo isso acontecido Jesus cura-o e o leproso bendisse a Deus difundido a notícia a todo o lado. E todos iam ter com Jesus.

b. Examinar o nível formal: Composição, estilo, linguagem, tipo de narração
Estamos perante uma narração que pretende descrever com veracidade os factos acontecidos.

c. Como intervém o narrador
Embora o narrador não se encontre dentro do texto, não quer dizer que ele tenha uma posição neutra fase às personagens presentes, mas tenha uma posição implicada com os ensinamentos e a doutrina de Jesus. Isto porque ele encontra-se comprometido com a doutrina de Jesus e, mostrando o ponto de vista de Jesus e dá-lhe todo o Palco. O narrador manifesta-se, ao leitor, como um fiável porque tudo é dado com certeza. O narrador, vivendo na cumplicidade com o próprio Jesus, deseja que o leitor consiga também ter esta mesma experiencia teológica.
“Compadecido, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: «Quero, fica purificado.»” (v.41)

A partir desde versículo podemos retirar uma série de reparos sobre a posição de Jesus. O narrador coloca Jesus como protagonista deste pequeno relato dando um grande destaque face aos presentes e o poder de controlar tudo o que está a acontecer:

d. O narrador está ou não presente na história?
O narrador, não fazendo parte do leque de personagens presentes neste relato em estudo, pode-se dizer que é um narrador extra-diagético. E, como conhece já toda a história e vai revelando todo aquilo que vai acontecendo, torna-se narrador omnisciente.

II. Os limites do texto

a. Onde começa o relato e onde termina? (critérios: tempo; espaço; personagens; tema; modelo ou género literário)
b. Uma vez fixados os limites, verificar como se liga o texto ao seu contexto (indícios narrativos que remetem para a situação anterior e posterior).
c. O relato faz parte de uma sequência narrativa? A sequência é dominada por um herói ou por um tema? Como está constituída? Que conexões unem os micro-relatos da sequencia?


O relato encontra-se enquadrado com todo o capítulo.
Podemos dizer que este relato começa no versículo 40 dada a algumas quebras e continuidade com o episódio anterior. A quebra mais significativa talvez seja sobre as personagens. Surgiu a dúvida se o versículo 39 poderia fazer sentido neste texto visto nos informar o tema e o espaço do texto que estamos a estudar.

A personagem de Jesus é a que faz a continuidade e a ligação com o que está anterior a este texto. Conseguimos encontrar a personagem pelas seguintes referências: “veio ter com Ele” (v.40), “Jesus” (v. 45). Surge, no mesmo versículo uma personagem nova do Evangelho. Esta não está nominada! Ela é apenas tratada pela sua doença: “um leproso” (v.40). já no fim do texto, existe uma referência a algumas pessoas: “E de todas as partes iam ter com Ele” (v.45).

Para situarmos este texto a nível de tempo temos de nos recorrer a algumas referências a versículos anteriores ao texto em estudo. Encontramos algumas das seguintes, no mesmo capítulo, com a seguinte ordem: “naqueles dias” (v.9), “esteve no deserto quarenta dias”(v.13), “depois que João foi preso” (v. 14), “logo no sábado” (v. 21), “ao entardecer” (v.32), “de madrugada”(v.35), “e foi por toda a Galileia” (v.39).
Embora a ultima pareça ser uma referencia espacial, dá-nos a ideia que a cura do leproso não acontece de madrugada (cf. v. 35) mas existe um espaço de tempo desde o “de madrugada”(v. 35) e “um leproso foi ter com Ele” (v. 40) que desse para que fosse “por toda a Galileia, pregando em sinagogas e expulsando demónios”(v. 39).
Sobre o contexto a nível do tempo existe uma ruptura (e ao mesmo tempo continuidade) com o texto posterior com a seguinte referência:

“depois de alguns dias” (Mc 2, 1)

Entrando agora no estudo sobre o espaço encontramos algumas referencias que situam o texto em estudo e ligam este texto com a passagem anterior. Inicialmente podemos situar esta passagem dentro da Galileia pela referência que encontramos antes do texto: “E foi por toda a Galileia” (v.39). Este texto termina dizendo: “Jesus… permanecia fora, em lugares desertos” e o próximo versículo já diz “entrando de novo em Cafarnaum”. Deste modo, existe uma ligação com o texto anterior que termina dizendo que estava fora da Cidade.

“45Ele, porém, assim que se retirou, começou a proclamar e a divulgar o sucedido, a ponto de Jesus não poder entrar abertamente numa cidade; ficava fora, em lugares despovoados. E de todas as partes iam ter com Ele. 1Dias depois, tendo Jesus voltado a Cafarnaúm,” (Mc 1, 45-2,1)

O género literário de uma narração descritiva mantém-se com a passagem anterior e a posterior. O tema, igualmente com o género literário mantém-se descrevendo as curas realizadas por Jesus (“cura da sogra de Pedro”, diversas curas”, cura de um leproso”, “cura de um paralítico”).

d. Dividir o relato em Cenas
Depois desta análise anterior podemos dividir o texto em pequenas cenas. Assim podemos dividir este relato em, pelo menos, duas cenas: 40-42; 44-45.


III. Intriga ou trama


a. Que fio condutor assegura a coerência do argumento narrativo? (Distribuir o texto segundo a estrutura quinaria)

Estrutura Quinaria


a) Situação inicial

40Um leproso veio ter com Ele,

b) Nó
caiu de joelhos e suplicou: «Se quiseres, podes purificar-me.»


c) Acção transformadora
41Compadecido, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: «Quero, fica purificado.» 42Imediatamente a lepra deixou-o, e ficou purificado.


d) Desenlace
43E logo o despediu, dizendo-lhe em tom severo: 44«Livra-te de falar disto a alguém; vai, antes, mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que foi estabelecido por Moisés, a fim de lhes servir de testemunho.»

e) Situação final
45Ele, porém, assim que se retirou, começou a proclamar e a divulgar o sucedido, a ponto de Jesus não poder entrar abertamente numa cidade; ficava fora, em lugares despovoados. E de todas as partes iam ter com Ele.



b. Identificar as modalidades da acção. Como é que as modalidades da acção influenciam o sujeito da acção transformadora? Quem possui o saber/fazer, o poder/ fazer ou ambos? Como os adquire o sujeito? Tinha-os ao principio?

Dever/fazer
O dever é acontecido em Jesus: Jesus deve querer curar-lhe.

Querer/ fazer
O verbo querer está muito referenciado nesta pequena narração. Deparamos que, neste jogo de quereres existe um querer inicial: o leproso quer que Jesus queira curar-lhe. mas, o leproso dá a conjugação da primeira pessoa a Jesus “Quero” (v. 41). Assim sabemos que o querer da fé do leproso transforma-se no querer concreto do fazer de Jesus.

Saber/ fazer
Não se encontra muito referenciado. Podemos dizer que o leproso sabe que Jesus pode purificar assim dá essa acção a Jesus que a realiza.

Poder/ fazer
O leproso, que nem nome tem, dá toda a sua acção a Jesus. O poder e o fazer poder encontra-se no mais intimo de Jesus: “Compadecido, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: «Quero, fica purificado.»”.

c. A intriga é de resolução (acção) ou de revelação (conhecimento)?
Estamos perante uma intriga de acção concreta que é a purificação do leproso. Porém, este acontecimento faz parte de um caminho do narrador de fazer revelar ao leitor quem é Jesus. Por esta passagem de Acção ficamos a conhecer melhor o seu mistério de Salvação! Deste modo, estamos perante uma intriga de acção e revelação.

13.10.08

2. Os limites do texto

O espaço pode ser dividido em três: O primeiro dentro da aldeia - " Chegaram a Betsaida"; O segundo fora da aldeia - "Conduziu-o para fora da aldeia"; O terceiro momento no qual Jesus após ter curado o cego, manda-o para casa - "Ele mandou-o para casa".

Não há referências temporais.

Esquema quinário:
Situação inicial - Chegaram a Betsaida (8, 22a)
Nó - e trouxeram-lhe um cego, pedindo-lhe que o tocasse. (8, 22b)
Acção transformadora - 23Jesus tomou-o pela mão e conduziu-o para fora da aldeia. Deitou-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou: «Vês alguma coisa?»
24Ele ergueu os olhos e respondeu: «Vejo os homens; vejo-os como árvores a andar.» 25Em seguida, Jesus impôs-lhe outra vez as mãos sobre os olhos e ele viu perfeitamente;
Desenlace – ficou restabelecido e distinguia tudo com nitidez. (8, 25b)
Situação final 26Jesus mandou-o para casa, dizendo: «Nem sequer entres na aldeia.»
Tema: Milagre
Os micro-relatos antecedentes referem-se às viagens de Jesus fora da Galileia, no qual percorre várias povoações, fazendo alguns milagres. É constante nestes reatos o confronto com os fariseus.
Neste micro-reato Jesus pede ao cego que não entre na povoação, o que constitui um paralelo com o micro-relato seguinte, no qual Jesus pede severamente aos seus discipulos para não dizerem quem ele é.